A partilha dos bens deixados por Cid Moreira, ícone do jornalismo brasileiro falecido em outubro de 2024, tornou-se centro de uma polêmica familiar que agora envolve o Ministério Público do Rio de Janeiro. Na última segunda-feira (29), os filhos do comunicador apresentaram uma representação formal contra a viúva, Maria de Fátima Sampaio Moreira, solicitando a abertura de inquérito por supostas irregularidades no processo de inventário, recebimento de pensão e condutas discriminatórias.
Segundo os herdeiros, Maria de Fátima teria se declarado como única dependente no INSS, o que lhe garantiu integralmente a pensão por morte, sem mencionar a existência dos filhos. No processo de partilha, ela também teria omitido bens de alto valor — como imóveis, obras de arte e aplicações financeiras — ao se apresentar como única herdeira.
A denúncia inclui ainda movimentações financeiras sem autorização judicial, retirada de objetos da residência compartilhada com Cid Moreira e assinatura de contratos envolvendo o patrimônio do jornalista. E-mails anexados ao processo indicam que a própria Maria de Fátima reconheceu a retirada de bens do imóvel.
O documento entregue ao MP também relata um episódio de homofobia. Um dos filhos teria sido pressionado pela madrasta a devolver valores recebidos do pai em vida, sob ameaças e ofensas de cunho homofóbico, que teriam sido usadas como forma de intimidação emocional.
A representação, assinada por Roger Felipe Naumtchyk Moreira e Rodrigo Razendev Simões Moreira, com apoio jurídico do advogado Francisco Ângelo Carbone Sobrinho, solicita medidas urgentes, incluindo o sigilo do caso e, caso as denúncias sejam confirmadas, a abertura de ação penal contra Maria de Fátima.