Saúde Teve alta
Mulher diagnosticada com vírus raro na Bahia deixa UTI
Paciente foi transferida para enfermaria do Couto Maia nesta sexta (10)
11/02/2023 15h18
Por: Redação Fonte: Correio24horas

A mulher de 41 anos, diagnosticada com o Vírus Ilhéus - uma patologia considerada raríssima - deixou a UTI e foi transferida para a enfermaria nesta sexta-feira (10). Ela é residente do município baiano de  Simões Filho, mas está em um hospital de Salvador desde quinta (09), para ser tratada contra a doença. 

A paciente, que não teve o nome revelado, está internada no Hospital Couto Maia. Antes, ela havia dado entrada no Hospital Municipal de Simões Filho (HMSF), no dia 31 de janeiro, se queixando de febre, dor de cabeça, fadiga, dificuldade de se alimentar e dores generalizadas há quatro dias.

Mas após ser atendida pela equipe médica e seguir para a sala de medicação, o quadro piorou e ela passou a apresentar sudorese severa, hipotensão e confusão mental. Posteriormente vieram outros sintomas neurológicos e dificuldade para respirar, o que a levou a ser entubada. 

A transferência para Salvador foi solicitada pelos médicos de Simões Filho após o diagnóstico do Vírus Ilhéus. Segundo a secretária de Saúde de Simões Filho, Iridan Brasileiro, o quadro da paciente foi melhorando progressivamente e ela já chegou em Salvador extubada. Até que, nesta sexta, foi transferida da UTI do Hospital Couto Maia, para a enfermeira. 

"Ela foi transferida para o hospital de referência porque precisava do olhar de um infectologista. Hoje [sexta (10)] tivemos acesso ao boletim médico da paciente. Ela está estável e seguirá sob os cuidados da equipe médica do Couto Maia", contou a secretária de Saúde de Simões Filho. Não há previsão de quando ela receberá alta. 

Fator de risco 

Ainda de acordo com a secretaria Iridan Brasileiro, este é um vírus caracterizado como arbovirose - que é transmitido por mosquitos. "O homem não é um hospedeiro natural dele, são as aves. O que acontece com a gente é uma hospedagem acidental, como ocorreu com a paciente", explica. 

Diferente de outras arboviroses, ele tem o fator neurológico como um agravante. Isso faz com que o paciente aumente as chances de desenvolver uma doença cerebral e, consequentemente, o risco de morte. Outra preocupação médica é o desenvolvimento de hemorragias de diversos tipos. 

Apesar disso, a raridade de infecções humanas pelo vírus e a não transmissibilidade de pessoa para pessoa representa uma chance ínfima de epidemia. O que ela deixa é um alerta para a necessidade de combate aos focos de mosquitos, por ainda não se saber qual espécie infectou a paciente e por esta ser uma doença pouco conhecida. 

Por isso, a Secretaria de Saúde de Simões Filho realizou o bloqueio focal da região e tratamento e eliminação mecânica de larvas com o apoio de agentes de endemia. Também foi solicitado ao Estado o envio de equipes sanitárias para a captura dos mosquitos para a identificação do transmissor do vírus. 

O Estado informou ao município que as equipes devem ser enviadas na segunda-feira (14). Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde disse que está acompanhando o caso. 

Primeiro caso na Bahia 

O Vírus Ilhéus da moradora de Simões Filho foi identificado no Laboratório de Virologia do Instituto de Ciências e da Saúde da Universidade Federal da Bahia (UFBA), pelos virologistas e pesquisadores de vírus Rúbio Soares Campos e Silvia Ines Sardi. De acordo com o pesquisador, este é o primeiro caso registrado na Bahia desde a descoberta do vírus, em 1944. 

Ele foi identificado por um pesquisador estrangeiro que, na época, pesquisava sobre a febre amarela no Brasil. As amostras foram levadas para o país dele e lá, descoberto e batizado com o nome da cidade em que foi coletado: Vírus Ilhéus. Depois apareceram alguns casos no Equador, Bolívia e outros países. 

Outros diagnósticos positivos já foram registrados no Brasil em 1997 e um caso fatal em 2017, no interior de São Paulo, segundo explica o virologista da Ufba, Rúbio Soares. "Ele é um vírus raro e não passa de pessoa para pessoa. A população pode ficar tranquila, pois ele só é transmitido por mosquitos", destaca ele, ressaltando ainda a importância de combate aos focos de proliferação do inseto. 

*Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo