E as empresas não param de chegar. “Somos instados a todo instante com sondagens de novas empresas de bebidas”, revela o prefeito Joaquim Neto. Desde 2021, a fábrica de refrigerantes, sucos e energéticos Dore negocia a instalação de uma fábrica no município, que se encontra em fase de projeto.
“O que pesou no desejo de se instalar em Alagoinhas foi justamente a questão da água”, afirma o gerente de negócios Bahia e Sergipe da Dore, Sérgio Pinho. “A água da cidade precisa de menos processamento, a qualidade é melhor e nosso concorrente direto está lá (Grupo São Miguel, dos refrigerantes Goob).”
A movimentação de toda essa produção gera para o município uma arrecadação superior à do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). São R$ 200 milhões, mais da metade de toda a receita da cidade. E há espaço para crescer. “Nós temos um mar debaixo da gente”, diz o gestor municipal, referindo-se aos Aquíferos São Sebastião e Tucano, de onde vem a água tão valiosa.
Joaquim Neto já levou para o secretário estadual de Turismo, Maurício Bacelar, a proposta de fazer de Alagoinhas a capital nacional da cerveja e de criar um festival no município, nos moldes da Oktoberfest de Santa Catarina.
“Já temos o compromisso do governador Jerônimo Rodrigues (PT) de trazer um aeroporto para Alagoinhas e queremos tornar a cidade um polo turístico com a criação da rota da cerveja”, projeta o prefeito.
Produção artesanal também é destaque
Não são apenas grandes indústrias que movimentam a fabricação de cervejas em Alagoinhas. A presença de cervejarias conhecidas e a qualidade reconhecida da água estimulam amantes da bebida a investir no desenvolvimento e produção de cervejas artesanais.
A cidade abriga pelo menos 30 pequenos produtores da bebida. É o caso do contador Alan Madureira, que há dez anos se aventurou a produzir a própria cerveja. Consumidor e apreciador de cervejas especiais, ele comprou seu primeiro equipamento em 2013, com capacidade para produzir 20 litros por vez.
“Sabendo que as cervejarias estavam se instalando na cidade, tive o interesse de aprender sobre a fabricação”, lembra. “Aproveitei que nossas fontes têm uma água que vem praticamente pronta, basta tirar o cloro.”
Madureira passou a comercializar a cerveja em eventos e, hoje, sua marca “Hart”, cerveja tipo ‘ale’ (mais encorpada) rende ao cervejeiro-contador entre R$ 4 mil e R$ 5 mil por mês.
Atualmente, ele possui um equipamento capaz de produzir 150 litros simultaneamente, ou 4,5 mil litros por mês, mas só tem produzido por encomenda ou em ocasiões especiais. “Não vivo disso, mas é um aditivo importante. ”