A Bahia enfrenta um desafio preocupante em 2024, com o registro de 154 casos de contaminação pela Febre Oropouche. Os últimos 59 casos foram confirmados pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) no último sábado (20), revelando uma rápida disseminação da doença. Os pacientes infectados estão distribuídos em diversas cidades, como Feira de Santana, Camacan, Wenceslau Guimarães, Jiquiriçá, São Miguel das Matas, Ibirapitanga, Gandu, Igrapiúna, Taperoá, Laje, Mutuípe, Salvador, Jaguaripe, Santo Antônio de Jesus e Teolândia.
Atualmente, os casos confirmados estão concentrados nas regiões sul e leste do estado.
A Febre Oropouche é uma doença causada pelo vírus oropouche, transmitido principalmente pela picada do Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. Esse vírus foi inicialmente detectado no Brasil na década de 1960, a partir de uma amostra de sangue de um bicho-preguiça capturado durante a construção da rodovia Belém-Brasília.
Uma das principais diferenças entre a Febre Oropouche e a Dengue é o mosquito vetor. Enquanto a dengue é transmitida pelo Aedes aegypti, a oropouche é transmitida pelo Culicoides paraensis. Além disso, as doenças se diferenciam pela evolução do quadro clínico. Enquanto o paciente com dengue pode apresentar dores abdominais intensas e, em casos graves, hemorragias internas, a oropouche não causa esse tipo de sintoma.
A Febre Oropouche apresenta uma característica peculiar: o ciclo bifásico. Geralmente, a pessoa infectada tem febre e dores por alguns dias, que desaparecem em seguida. Após uma semana, os sintomas retornam, até desaparecerem novamente. Embora não haja casos de mortalidade relacionados à doença, os casos mais graves podem resultar em comprometimento do sistema nervoso central, como meningite asséptica e meningoencefalite, principalmente em pacientes imunocomprometidos.
Para prevenir a doença, o Ministério da Saúde recomenda algumas medidas, como evitar áreas onde há muitos mosquitos, se possível. É importante também usar roupas que cubram a maior parte do corpo e aplicar repelente nas áreas expostas da pele, especialmente nas regiões com maior número de casos. Além disso, é fundamental manter a casa limpa, removendo possíveis criadouros de mosquitos, como água parada e folhas acumuladas. Caso haja casos confirmados na região, é recomendado seguir as orientações das autoridades de saúde local para reduzir o risco de transmissão, incluindo medidas específicas de controle de mosquitos.
*Com informações da Agência Estadão.