
A Bahia ocupa a segunda posição entre os estados brasileiros com maior dificuldade de acesso à creche, segundo o Panorama do Acesso à Educação Infantil no Brasil, divulgado pela ONG Todos Pela Educação nesta segunda-feira (11). Em 2024, cerca de 220,5 mil crianças de 0 a 3 anos ficaram sem atendimento no estado — número superado apenas por Minas Gerais, que registrou 247 mil crianças fora da rede.
O cenário é ainda mais crítico entre os bebês de até 1 ano. Apenas 8,3% dessa faixa etária teve acesso à creche na Bahia, um dos índices mais baixos do país. Em Salvador, a situação é alarmante: o levantamento aponta que nenhuma criança de 0 a 1 ano está matriculada em creches, colocando a capital baiana ao lado de Porto Velho (RO) e Belém (PA) com 0% de cobertura.
Em resposta ao relatório, a Secretaria Estadual de Educação (SEC) destacou que, embora a oferta de creches seja responsabilidade dos municípios, o governo estadual tem atuado em parceria para ampliar a rede. Desde 2023, foram formalizados 80 convênios com prefeituras baianas, totalizando mais de R$ 138 milhões em investimentos voltados à construção de creches, escolas e quadras esportivas, além da compra de mobiliário e equipamentos pedagógicos.
Outra iniciativa é o Programa Mais Infância, desenvolvido pelas Voluntárias Sociais da Bahia (VSBA), que apoia creches comunitárias com capacitação de educadores, assessoria pedagógica e suporte técnico. Segundo a SEC, o programa já beneficiou 120 creches em Salvador, impactando cerca de 10 mil crianças.
A exclusão no acesso à educação infantil é um problema que afeta milhões de crianças em todo o Brasil. Especialistas alertam que a falta de vagas compromete o desenvolvimento cognitivo e social dos pequenos e dificulta a inserção das mães no mercado de trabalho. O Plano Nacional de Educação prevê a universalização do atendimento para crianças de 4 a 5 anos e a ampliação para pelo menos 50% das de 0 a 3 anos — metas ainda distantes da realidade baiana.
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