
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o medicamento Blenrep (belantamabe mafodotina), da biofarmacêutica GSK, para o tratamento de mieloma múltiplo recaído ou refratário. O remédio pode ser usado em combinação com bortezomibe e dexametasona (BVd) ou com pomalidomida e dexametasona (BPd), após pelo menos uma linha de tratamento anterior. Blenrep é o primeiro anticorpo droga conjugado (ADC) direcionado ao antígeno BCMA aprovado para essa condição no Brasil. A tecnologia combina anticorpos monoclonais com agentes citotóxicos, oferecendo ação seletiva contra células tumorais.
Seu mecanismo de ação é multimodal, unindo imunoterapia e terapia-alvo, com resposta rápida e progressiva. A aprovação se baseia nos estudos DREAMM-7 e DREAMM-8, ambos de fase III, com participação brasileira em oito centros de pesquisa. O DREAMM-7 mostrou que Blenrep quase triplica a sobrevida livre de progressão e reduz em 59% o risco de progressão ou morte, além de melhorar a sobrevida global em 42% comparado ao daratumumabe. Já o DREAMM-8 apontou redução de 51% no risco de progressão ou morte em pacientes tratados com BPd.
Eventos adversos oculares foram mais frequentes com Blenrep, mas a qualidade de vida dos pacientes se manteve estável. A descontinuação do tratamento por efeitos colaterais foi de 28% no grupo BVd e 15% no grupo BPd. Especialistas destacam o avanço terapêutico e o impacto positivo da participação brasileira nos estudos. O mieloma múltiplo é o segundo câncer hematológico mais comum no país, com cerca de 7.600 novos casos por ano. A doença é incurável e tende a piorar com o tempo, tornando essencial o acesso a terapias eficazes desde as primeiras recaídas.
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