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Política Envolvimento

PF mira Jaques Wagner em nova fase da Operação Compliance Zero e apura supostas vantagens ligadas ao Banco Master

Investigação autorizada pelo STF aponta possível atuação do senador baiano em pautas de interesse do grupo financeiro

18/06/2026 às 14h47
Por: Redação Fonte: Notícias no Ar
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Elza Fiúza/Agência Brasil
Elza Fiúza/Agência Brasil

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) a nona etapa da Operação Compliance Zero e colocou o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, entre os principais alvos das apurações. A investigação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), busca esclarecer uma suposta relação entre o parlamentar e pessoas ligadas ao Banco Master, envolvendo possível influência política e recebimento de benefícios indevidos.

Ao longo da operação, agentes cumpriram 18 mandados de busca e apreensão em diferentes endereços. Um dos locais vistoriados fica em Salvador, enquanto outra diligência realizada em Brasília resultou na apreensão de aproximadamente US$ 49 mil em espécie, valor equivalente a cerca de R$ 250 mil.

De acordo com os investigadores, mensagens, documentos, planilhas, registros telefônicos e áudios obtidos em fases anteriores permitiram identificar uma relação próxima entre Jaques Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, apontado como integrante do círculo de confiança do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

A Polícia Federal sustenta que o senador teria atuado em discussões legislativas consideradas estratégicas para interesses do grupo financeiro. Entre os episódios analisados está a tramitação de propostas relacionadas ao crédito consignado e à ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), medidas que poderiam beneficiar instituições financeiras com forte presença nesses segmentos.

Segundo os investigadores, a análise de contatos telefônicos e mensagens trocadas durante a tramitação das matérias indica interlocução frequente entre Wagner e representantes ligados ao grupo econômico. A PF também apura eventual participação do senador em debates relacionados à operação de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

Outro ponto central da investigação envolve um apartamento localizado no bairro do Horto Florestal, em Salvador. O imóvel, avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões, aparece citado em documentos apreendidos e é apontado pela PF como uma possível vantagem oferecida em contrapartida à atuação política investigada. Os agentes afirmam que as negociações relacionadas ao bem teriam prosseguido mesmo após o início das investigações.

Além do imóvel, o relatório policial menciona o uso de aeronaves particulares e o custeio de ingressos para apresentações da cantora Taylor Swift, destinados a familiares do senador. Os benefícios também integram a linha de apuração conduzida pela corporação.

A operação investiga ainda movimentações financeiras envolvendo a BN Financeira Ltda., empresa vinculada ao núcleo familiar de Wagner. Conforme a PF, a companhia recebeu cerca de R$ 3,5 milhões de uma empresa administrada por uma parente de Augusto Lima. Os investigadores buscam verificar se os valores correspondem a serviços efetivamente prestados ou se teriam sido utilizados para mascarar vantagens indevidas.

Mensagens extraídas de aparelhos celulares apreendidos também apontam a participação de pessoas ligadas à empresa em cobranças relacionadas a pagamentos e repasses financeiros. Para a PF, os diálogos reforçam a necessidade de aprofundar a investigação sobre a origem e a finalidade dos recursos movimentados.

A Polícia Federal chegou a solicitar buscas no gabinete parlamentar de Jaques Wagner e em escritórios ligados ao mandato. No entanto, o pedido foi rejeitado pelo ministro André Mendonça, que considerou insuficientes os elementos apresentados para justificar medidas em dependências vinculadas ao Poder Legislativo.

Até o fechamento desta matéria, a defesa do senador não havia se manifestado sobre o conteúdo das investigações. Já os advogados de Augusto Lima classificaram as diligências como desnecessárias e afirmaram que o empresário vem colaborando com as autoridades há vários meses. A defesa sustenta que todas as atividades desempenhadas por ele ocorreram dentro dos limites legais e que os fatos investigados serão devidamente esclarecidos ao longo do processo.

As apurações seguem em andamento e ainda não há conclusão judicial sobre as suspeitas levantadas pela Polícia Federal.

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