
O Comitê Científico do Consórcio Nordeste produziu um parecer técnico onde recomenda a proibição de festas privadas no Carnaval. Além disso, o colegiado propõe o cancelamento dos feriados no período da folia.
Em 2022, o Carnaval está previsto para acontecer entre 26 de fevereiro a 1º de março. Os municípios de Recife, Olinda e Salvador, principais cidades onde se realizam as festas, já cancelaram os festejos. No caso de Pernambuco, a decisão sobre a realização ou não de eventos privados no período caberá ao governo do estado e espera-se que isso ocorra até 15 de fevereiro.
Na Bahia, o governo estadual reduziu a capacidade de eventos de 5.000 para 1.500 pessoas, o que provocou cancelamento de parte das festas, mas ainda não há uma definição a respeito da proibição total deste tipo de evento.
O parecer do consórcio afirma que a ômicron é quatro vezes mais transmissível que a delta, e atribui o menor número de mortes atual pelo "fato de grande parcela da população já estar vacinada, o que faz com que os números de hospitalizações e mortes sejam menores que os das ondas anteriores".
"No momento, é impossível prever com segurança quando o novo pico será alcançado e qual será a duração da nova onda", diz trecho do parecer.
De acordo com os cientistas do consórcio, a manutenção dos feriados de Carnaval "poderá se constituir num estímulo para a população ir às ruas, promovendo aglomerações, o que poderá resultar no agravamento do quadro da pandemia".
Em relação à proibição das festas privadas e de shows que possam gerar aglomerações, o comitê afirma que esses eventos "intensificariam a transmissão do vírus, como ocorreu no Réveillon, e resultariam no prolongamento da terceira onda no Brasil".
"O comitê científico tem clareza sobre as dificuldades políticas e os prejuízos econômicos decorrentes desta medida. Porém, o mais importante no momento é salvar vidas. E vidas não têm preço. Naturalmente, após o término da pandemia, novos feriados extraordinários poderiam ser criados pelos governos", pontuou o comitê.
Os especialistas do comitê científico orientam os governos estaduais e os prefeitos a intensificarem as campanhas de vacinação contra a Covid-19 e justificaram que, mesmo com cerca de 70% da população brasileira completamente imunizada, o percentual "ainda não é suficiente para assegurar um cenário de tranquilidade e estabilidade".
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