
Os transplantes cardíacos voltam a ser realizados na Bahia após quase dois anos de suspensão. Os procedimentos ocorrem no Hospital Ana Nery, somando-se aos transplantes de córnea, rim, fígado e medula óssea já executados no estado. Para celebrar o Dia Nacional da Doação de Órgãos, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) realizou live, ontem, para esclarecer dúvidas e comentar o cenário atual no estado.
Com a interrupção para reestruturação do sistema durante a pandemia de Covid-19, os transplantes de coração vão trazer alívio para pacientes que aguardam pela oportunidade. De acordo com os dados do Sistema Estadual de Transplantes da Sesab, o número de doadores de múltiplos órgãos aumentou mais de 58% de julho a agosto de 2023, saltando de 12 para 19 doadores. Nos oito primeiros meses do ano, a Bahia totalizou 106 doadores de múltiplos órgãos.
Coordenador do Sistema de Transplantes, Eraldo Moura comentou na live que o Brasil é um modelo no financiamento, acompanhamento e controle dos transplantes por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). No país, são realizados os transplantes de órgãos (fígado, coração, pulmão, pâncreas, rim e intestino) e tecidos (córnea, medula óssea, osso, pele e válvula cardíaca), além dos de células de forma experimental.
“Hoje, os transplantes têm um resultado muito seguro, além de ser a forma mais inclusiva, independentemente da classe social”, cita Eraldo.
Com o primeiro transplante no mundo realizado em 1967, ele traz a importância das ações do Setembro Verde, como um processo de educação para os profissionais de saúde e população em geral na data dos padroeiros da ação no Brasil, Cosme e Damião.
“Em setembro, concentramos as ações em relação à capacitação dos profissionais na Bahia. O ponto mais importante é você perceber que para um transplante, precisa de alguém para doar. Quando a sociedade não entende o processo, tende a dizer não. Apenas parentes de 1º grau e conjugues podem validar a doação”.
As doações de múltiplos órgãos acontecem após a morte cerebral encefálica, que são apenas 10% das advindas de traumas, após o diagnóstico do médico e exames complementares.
Atualmente, a Bahia conta com uma rede com 23 centros transplantadores, com sete pelo SUS e três unidades públicas: o Hospital Geral Roberto Santos, o Hospital Ana Nery e o Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes). Além deles, integram a rede os hospitais filantrópicos Martagão Gesteira, em Salvador, e Dom Pedro de Alcântara, em Feira de Santana, e os privados Instituto Brandão de Reabilitação (IBR), de Vitória da Conquista, e Hospital Português, na capital. Já o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) estabeleceu um balcão, disponível até a próxima sexta-feira, para esclarecer dúvidas sobre como se tornar um doador.
Coração
Com a retomada dos transplantes de coração, a expectativa é diminuir a espera na fila, que segue uma ordem com base no tempo na lista, o grupo sanguíneo, o tamanho do órgão ser compatível com o doador e a urgência de casos que utilizam as bombas artificiais e drogas. No país, até agosto deste ano, 262 pacientes já foram transplantados.
A insuficiência cardíaca é a principal causa de hospitalização dentre as doenças cardíacas e das necessidades de transplante cardíaco, com alta taxa de mortalidade. “Quando existe um serviço de transplante, toda a base da pirâmide se beneficia porque precisa melhorar a complexidade”, comenta o cardiologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), regional Bahia, e professor adjunto da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Luiz Ritt.
Ele acrescenta que a história do seu paciente Walker Teixeira, do Hospital Cardiopulmonar. Por não poder realizar o transplante na Bahia, foi necessário realizá-lo em Brasília. “Eles constataram que eu estava com insuficiência cardíaca e fiquei na Cardiopulmonar para fazer a reavaliação, que não foi possível. Em Brasília, no primeiro hospital, não deu para fazer o transplante duplo. Tive que ir para outro, onde fiz a cirurgia. Eu só tinha quatro dias de vida”, conta Walker.
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