
Pelo menos de cerca de 11.540 pessoas que ainda não sabem, mas que devem entrar na lista de pacientes com leucemia, conforme estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), no triênio 2023-2025. O órgão do Ministério da Saúde trabalha com uma projeção de 5,33 novos casos para cada 100 mil habitantes, dos quais 6.250 sejam em homens e 5.290 em mulheres. Em bom português, há um sinal de alerta disparado para todo o país.
O desconhecimento é um dos agravantes da leucemia. O diagnóstico tardio e a própria falta de compreensão em torno da doença são armas que tornam o inimigo ainda mais poderoso.
A leucemia ataca diretamente os glóbulos brancos, cuja função é de garantir a defesa do organismo. Essas células têm sua formação na medula óssea presente no interior de alguns ossos específicos do corpo humano, como a bacia, o fêmur, o esterno e o próprio crânio.
“No organismo com leucemia, é possível perceber um acúmulo de glóbulos brancos doentes na medula óssea. Existem alguns fatores de risco, mas nem sempre é possível identificar a origem, e isso gera uma angústia no paciente”, explica o hematologista Guilherme Muzzi. Dentre esses fatores estão a idade, o tabagismo, o histórico familiar, algumas síndromes e infecções, dependendo do tipo de leucemia.
Mas todos esses fatores são apenas parte do ataque da doença ao organismo. Existem mais de dez tipos de leucemia, sendo as principais a leucemia mielóide aguda (LMA), a leucemia mielóide crônica (LMC), a leucemia linfoblástica aguda (LLA) e a leucemia linfocítica crônica (LLC). “Basicamente, a variação entre aguda e crônica diz respeito à rapidez com que as células doentes crescem. A doença aguda ocorre rapidamente, ao passo que a crônica tem uma progressão mais lenta”, esclarece o hematologista. “Todos os casos, porém, merecem atenção absoluta”, alerta.
Um dos motivos, segundo ele, se deve à taxa de mortalidade da doença no Brasil. De fato, em 2020, de acordo com o Inca, ocorreram 6.738 óbitos em decorrência da leucemia – uma taxa de 3,18 para cada 100 mil pessoas. Destas mortes, 3.703 eram homens e 3.035 mulheres. O médico reforça que isso torna ainda mais emergencial a busca por um diagnóstico precoce e uma atenção preventiva à saúde.
“A leucemia merece um alerta geral da sociedade, principalmente porque está no rol das doenças que mais acometem os brasileiros. Os estudos mais recentes do próprio Instituto Nacional do Câncer mostram que ele está entre os dez tipos de câncer mais frequentes, se desconsiderarmos os tumores de pele não melanoma. Como há muitos tipos de leucemia, isso acaba expandindo os riscos”, reflete Guilherme Muzzi.
Tratamentos contra leucemia são variáveis
Existem diferentes tratamentos contra a leucemia que variam conforme o tipo. No caso das leucemias crônicas, cuja evolução das células doentes é mais lento, o tratamento pode ser somente o acompanhamento periódico ou o uso de medicamentos, a depender da orientação médica. Já para os casos agudos, o procedimento também é mais agressivo: a quimioterapia ou até mesmo transplante de células-tronco hematopoiéticas.
“Há casos em que a chance de cura contra a leucemia é grande. Portanto, apesar da taxa de mortalidade da doença, a leucemia não deve ser sinônimo de morte, mas de diagnóstico precoce e tratamento adequado. Mas é necessário um cuidado preventivo com a saúde. Cuidar-se quando o quadro é mais grave dificulta bastante o resultado dos tratamentos”, conclui o hematologista Guilherme Muzzi
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