
A Prefeitura de Mata de São João, através da Secretaria de Agricultura (SEAGRI), promoveu na manhã desta terça-feira (22) uma capacitação voltada à produção de hidromel, bebida fermentada e milenar, ainda pouco difundida na região. O curso aconteceu no Sítio São Judas Tadeu, no distrito de Amado Bahia, reunindo mais de 30 participantes entre produtores rurais e polinizadores locais.
Com abordagem teórica e prática, a formação foi conduzida pelo professor Ednei Magalhães, especialista no assunto. Os participantes aprenderam técnicas fundamentais para a produção de bebidas fermentadas, vinagres, coleta adequada do mel e demais processos derivados do produto das abelhas, incluindo o hidromel, também conhecido como “vinho de mel”.

Na área coberta do sítio, os alunos acompanharam atentamente as explicações do professor, que utilizou recursos como projetor e materiais didáticos para aprofundar o conteúdo. Durante a aula, foram repassadas orientações sobre fermentação, proporções adequadas entre mel e água, uso de leveduras, escolha dos utensílios corretos e até receitas variadas da bebida com e sem álcool.
“Estou iniciando no projeto com o apoio da equipe. Conheci no ano passado, comecei a criar e fui incentivado a expandir. Essa capacitação é uma grande oportunidade, não só para gerar uma nova fonte de renda, mas também para transformar nossa propriedade em um espaço de aprendizado coletivo”, contou Gabriel Viana, polinizador anfitrião da capacitação.
O professor Magalhães, destacou o valor da diversificação da produção como estratégia de desenvolvimento rural. “A ideia é horizontalizar e verticalizar a produção. Ou seja, explorar todas as possibilidades que a apicultura oferece, própolis, pólen e, a partir disso, transformar esses produtos em outros itens de valor agregado, como pães de mel, sabonetes, shampoos e, agora, o hidromel”, explicou.
Ainda segundo o professor, o hidromel é uma das bebidas fermentadas mais antigas do mundo, datada de cerca de 8 mil anos antes de Cristo. No curso, foram apresentadas duas variações da bebida, uma produzida com mel de abelhas com ferrão e outra com mel de abelhas sem ferrão, como as da espécie uruçu. A expectativa é que os participantes consigam comercializar o litro da bebida por valores entre R$60 e R$80, agregando valor à cadeia produtiva local.
“A proporção média é de 20% de mel para 80% de água, além da levedura. É um produto de baixo custo de produção, mas de alto valor no mercado, especialmente nas regiões Sul e Sudeste do país, onde já faz parte da cultura gastronômica”, reforçou Magalhães.
A ação integra o projeto Polinizadores, coordenado pela SEAGRI, que busca fomentar a apicultura e a meliponicultura como alternativas sustentáveis de renda no município. Além de fortalecer a agricultura familiar, a iniciativa tem contribuído para a preservação ambiental e para o desenvolvimento de novos empreendedores no campo.
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