
A Petrobras confirmou oficialmente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que mantém interesse em recomprar a Refinaria de Mataripe, na Bahia, vendida em 2021 ao fundo Mubadala Capital. A manifestação ocorreu após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia citado publicamente a intenção de reaquisição durante visita à Refinaria Gabriel Passos, em Minas Gerais.
Segundo a estatal, a avaliação de oportunidades de negócios é contínua e inclui a possibilidade de retomar a unidade baiana, também conhecida como Refinaria Landulpho Alves. A empresa destacou que esse interesse já havia sido mencionado em comunicados anteriores, mas reforçou que não há novas informações relevantes além das já divulgadas.
Localizada em São Francisco do Conde, a refinaria é a segunda maior do país e a mais antiga em operação, com capacidade de refino de cerca de 300 mil barris de petróleo por dia — aproximadamente 14% da capacidade nacional. Produz derivados estratégicos como diesel, gasolina, querosene de aviação, gás de cozinha e asfalto.
A venda em 2021 fez parte do programa de desinvestimentos da Petrobras, e desde então a unidade passou a ser operada pela Acelen, controlada pelo Mubadala. A possibilidade de recompra surge em um contexto de preocupação do governo federal com a volatilidade dos preços internacionais do petróleo e seus reflexos no mercado interno, especialmente sobre o diesel.
Além da refinaria, o governo também tem criticado a privatização de ativos de distribuição, como a antiga BR Distribuidora, hoje Vibra Energia. A discussão sobre a recompra de Mataripe, portanto, insere-se em um movimento mais amplo de revisão das estratégias de desinvestimento adotadas nos últimos anos, com foco em fortalecer o papel da Petrobras na regulação do mercado de combustíveis.
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