
A ByteDance, controladora do TikTok, deu um passo estratégico para ampliar sua atuação no Brasil ao solicitar ao Banco Central duas licenças que podem transformar a rede social em um novo player do setor financeiro. O pedido inclui autorização para operar como emissor de moeda eletrônica, permitindo a oferta de contas de pagamento digitais, e como sociedade de crédito direto, o que possibilitaria conceder empréstimos com capital próprio ou intermediar operações entre credores e tomadores.
Na manhã desta terça-feira (31), executivos da empresa se reuniram em Brasília com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com o chefe de Pagamentos Globais da ByteDance, Liao Baohua. A iniciativa reforça a intenção da companhia de replicar no Brasil experiências já testadas em outros mercados, como o Douyin Pay, sistema de pagamentos lançado em 2021 na versão chinesa do TikTok.
A expansão, no entanto, não é inédita: em 2023, a ByteDance tentou obter licença semelhante na Indonésia, mas o pedido foi recusado. No Brasil, além da solicitação ao Banco Central, a empresa anunciou a construção de um data center no Ceará, com investimentos estimados em mais de R$ 200 bilhões, consolidando sua estratégia de integração tecnológica e financeira.
Se aprovada, a operação colocará o TikTok em concorrência direta com gigantes já estabelecidos, como WeChat Pay e AliPay, além de bancos digitais locais. O movimento sinaliza uma disputa cada vez mais acirrada pelo controle de serviços financeiros digitais no país, em que redes sociais e plataformas de tecnologia buscam se tornar protagonistas na vida econômica dos usuários.
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