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Justiça Segundo semestre

STF adia julgamento sobre vínculo trabalhista entre aplicativos e prestadores de serviço

Corte retira processos da pauta após pedido de órgãos públicos para análise de nova convenção internacional voltada ao trabalho em plataformas digitais

24/06/2026 às 19h03
Por: Redação Fonte: Notícias no Ar
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Gustavo Moreno/STF
Gustavo Moreno/STF

O debate sobre o reconhecimento de vínculo empregatício entre trabalhadores de aplicativos e empresas de plataformas digitais ganhou um novo capítulo no Supremo Tribunal Federal. O presidente da Corte, Edson Fachin, decidiu retirar da pauta desta quarta-feira (24) os processos que tratam do tema, adiando a análise para uma data ainda não definida.

A decisão envolve ações consideradas estratégicas para a definição do entendimento jurídico sobre as relações de trabalho na chamada economia de plataformas, modelo que engloba motoristas de transporte por aplicativo, entregadores e outros profissionais que atuam por meio de serviços digitais.

O adiamento ocorreu após manifestação conjunta apresentada pelo Ministério Público do Trabalho e pela Defensoria Pública da União. Os órgãos solicitaram mais tempo para avaliar os possíveis reflexos da Convenção nº 193 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), recentemente aprovada durante conferência realizada em Genebra, na Suíça.

A convenção internacional estabelece diretrizes relacionadas à promoção de condições dignas de trabalho para profissionais inseridos na economia digital e passou a ser considerada um elemento relevante para a discussão jurídica em andamento no Brasil.

Com a retirada dos processos da pauta, o STF também determinou a abertura de prazo para que as partes envolvidas e entidades participantes do julgamento apresentem manifestações sobre os impactos da nova norma internacional. O objetivo é permitir uma análise mais ampla antes da definição de uma tese que poderá influenciar milhares de ações trabalhistas em todo o país.

Entre os processos suspensos está um recurso com repercussão geral reconhecida, mecanismo que faz com que a futura decisão da Corte sirva de referência para julgamentos semelhantes em todas as instâncias do Judiciário brasileiro. Também foi retirada da pauta uma reclamação sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Especialistas acompanham o caso com atenção devido ao potencial impacto econômico e social da decisão. O julgamento deverá discutir aspectos como subordinação, autonomia dos trabalhadores, direitos trabalhistas e a responsabilidade das empresas que operam plataformas digitais.

A expectativa é que a matéria volte à pauta do Supremo no segundo semestre, quando os ministros terão à disposição as manifestações complementares e uma avaliação mais aprofundada sobre os efeitos da nova convenção internacional para o ordenamento jurídico brasileiro.

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