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Saúde Preocupação

Mudança no perfil das hepatites virais na Bahia acende alerta sanitário

Casos de hepatite A disparam 400% entre adultos jovens, impulsionados por transmissão sexual, enquanto hepatites B e C mantêm alta letalidade

28/07/2025 às 18h56
Por: Redação Fonte: Notícias no Ar
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Diane Passos/Prefeitura Boa Vista
Diane Passos/Prefeitura Boa Vista

Os últimos cinco anos revelaram uma transformação preocupante no cenário das hepatites virais na Bahia. Dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) mostram um crescimento expressivo de casos e óbitos, particularmente entre a população adulta jovem. O tipo A registrou aumento de 400% entre 2021 e 2025, saltando de 13 casos anuais para 65 confirmações apenas nos sete primeiros meses deste ano.

A faixa etária de 20 a 39 anos concentra a maioria das infecções recentes por hepatite A – doença tradicionalmente associada a condições precárias de saneamento, mas que agora encontra nova rota de disseminação. Conforme análises do Ministério da Saúde, a transmissão via relações sexuais desprotegidas explica essa mudança epidemiológica. O hepatologista Raymundo Paraná esclarece: "Práticas sexuais que facilitam a transmissão fecal-oral reintroduziram o vírus com força. Muitos adultos atualmente suscetíveis não tiveram exposição na infância, quando a infecção costuma ser mais branda".

Enquanto a hepatite A preocupa pelo ritmo de contágio, as variantes B e C seguem críticas pela gravidade. Entre 2021 e 2025, a Bahia confirmou 3.064 casos de hepatite B (com 12 mortes diretas) e 3.238 de hepatite C (associada a 17 óbitos). Embora ambas apresentem tendência de queda desde 2023, as consequências das infecções crônicas continuam a provocar danos hepáticos severos, incluindo cirrose e câncer.

No cenário nacional, o Brasil contabilizou mais de 34 mil casos de hepatites virais em 2024, com aproximadamente 1.100 mortes. A ausência de vacina contra a hepatite C permanece como obstáculo central, refletida nos quase 20 mil novos casos registrados no ano passado. Paraná alerta para outra lacuna: "Diferente de países vizinhos, o Brasil não oferece vacina para hepatite A na idade adulta. Estudos indicam que mais de 50% dos adultos nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul permanecem vulneráveis".

Diante das metas da Organização Mundial da Saúde – redução de 90% na incidência e 65% na mortalidade por hepatites B e C até 2030 – a Bahia intensifica ações durante o Julho Amarelo. Campanhas de testagem rápida, atualização vacinal e conscientização focam em populações-chave, reforçando que prevenção, diagnóstico precoce e tratamento oportuno são pilares para reverter este cenário.

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