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Relatório do STF reúne milhares de ameaças contra ministros e acende alerta sobre segurança judicial

Trechos divulgados por Flávio Dino mostram mensagens com referências a assassinatos e agressões físicas; ministro afirma que intimidações não vão interferir em sua atuação na Corte.

09/10/2026 às 17h46
Por: Redação Fonte: Metro1 - Notícias no Ar
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flaviodino/Instagram
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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou públicos nesta sexta-feira (9) trechos de um relatório elaborado pela área de segurança do tribunal que reúne milhares de mensagens com ameaças de morte e manifestações de violência contra integrantes da Corte. O material foi compartilhado pelo magistrado em seu perfil no Instagram e expõe a dimensão da hostilidade direcionada aos ministros nas redes sociais.

Entre os registros apresentados estão publicações que mencionam fuzilamento, ataques físicos e até a invasão da sede do Supremo. Em uma das mensagens, o autor ameaça Dino por uma suposta posição do ministro relacionada ao acesso a armas. Outra manifestação faz referência a Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e ao próprio Dino, defendendo uma ação violenta contra os magistrados.

O documento, segundo informações divulgadas pela imprensa, aponta a rede social X como o ambiente com maior volume e proporção de publicações hostis contra o tribunal e seus integrantes. O relatório completo, porém, não foi divulgado publicamente, por razões relacionadas à segurança institucional.

Ao comentar o conteúdo, Dino associou a disseminação de mensagens violentas à circulação repetida de informações falsas. O ministro também destacou que a discordância em relação a decisões judiciais deve ser expressa pelos instrumentos legais disponíveis, e não por ameaças ou incitação a agressões.

O magistrado declarou que as intimidações não modificarão sua postura profissional nem sua atuação no Supremo. Na avaliação apresentada por ele, permitir que o medo de represálias interfira nas decisões de um juiz colocaria em risco a independência do Poder Judiciário e o próprio funcionamento das instituições democráticas.

Ameaças e liberdade de expressão

O episódio reacende o debate sobre os limites entre a crítica às instituições públicas e manifestações que incentivam crimes ou violência contra autoridades. Decisões judiciais podem ser questionadas por meio de recursos e outros mecanismos previstos em lei, mas ameaças de morte e incitação à agressão constituem situações distintas da manifestação legítima de opinião.

A divulgação dos trechos também chama atenção para os desafios enfrentados pelas equipes responsáveis pela segurança dos ministros e pelo monitoramento de possíveis riscos no ambiente digital.

Histórico de intimidações

As ameaças contra integrantes do STF não são recentes. Em 2019, o então presidente da Corte, Dias Toffoli, determinou a abertura de uma investigação para apurar ataques e intimidações contra ministros e familiares. O procedimento ficou conhecido como Inquérito das Fake News e permanece em andamento.

O material divulgado agora não detalha quantas mensagens resultaram em investigações específicas nem informa se todos os autores foram identificados. A publicação, contudo, evidencia a preocupação com manifestações que ultrapassam a crítica política e judicial e passam a defender agressões contra integrantes do Judiciário.

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