
Escrever sobre bem-estar em Dezembro de 2020, mês de aniversário do nCoV 2019 e na segunda onda de contaminação em massa do vírus, pode parecer um momento embebido de positividade.
Uma pandemia em que não temos, precisamente, uma data fim, já matou mais de um milhão de pessoas. Pessoas estas que estavam sozinhas, pessoas que tinham família, pessoas que planejavam construir uma família… e ainda temos outros tantas que estão lutando para não entrar nessa estatística.
Alguns estão isolados com MEDO. Outros por falta de ESCOLHA. Uns por CORAGEM precisam arriscar para SOBREVIVERem. Outros com um pouco menos noção de RESPONSABILIDADE COLETIVA saem da temporada de isolamento como se a última festa da vida fosse ocorrer no próximo final de semana.
A morte percorre a vida de maneiras imprevisíveis, mas você que me lê, está vivo. Sobre um familiar ou um conhecido próximo já não posso ter a mesma garantia. E só você é capaz de mensurar sua dor. A ela, o meu respeito. Às vezes, essa dor é tão grande que ficamos anestesiados e o tempo do luto demora a iniciar porque a latência ainda está para ocorrer.
Aprendemos sistemicamente que quando permanecemos vivos e um ente querido morre, viver nossa vida da melhor forma possível é honrar àqueles que já não podem mais desfrutar dessa dádiva. E há muitas formas de viver a vida.
Por sorte, não há um conceito fechado sobre o que vem a ser bem-estar. Podemos encontrar diversos estudos e teorias que elencam tópicos que podem nos trazer QUALIDADE DE VIDA, mas é o seu PADRÃO PESSOAL que determina.
São as circunstâncias em que você vive comparado com a vida que deseja ter que alinha ou não a sua vida ao bem-estar. E a vida que você deseja ter não aquela que a imposição midiática quer que você acredite que é a ideal.
É estar confortável com seu padrão EMOCIONAL diante vivências.
É conseguir arcar com uma vida MATERIALMENTE saudável.
É ter uma vida SOCIAL que lhe proporciona suavidade.
É ter SAÚDE FÍSICA.
É trabalhar pelo DESENVOLVIMENTO PESSOAL.
Percebem como essa lista é delicada em meio a uma pandemia? Não fomos ensinados a lidar com a morte, nossa ou do outro, então nossa emoção está em cheque. Muitos perderam seus empregos ou tiveram a renda reduzida, afetando o orçamento. A convivência social está limitada e frágil em vários níveis. A saúde foi por um tempo sinônimo de estar vivo, as patologias outras foram minimizadas, mas permanecem afetando o mundo. Então trabalhar pelo desenvolvimento pessoal pode não estar sendo tão fácil nesse contexto.
O que você pode fazer pelo que necessita dentro das possibilidades que tem no momento? Ir atrás da descoberta dessa resposta me aparece um caminho que pode ser trilhado enquanto a vacina não está disponível a todos. Pode ser uma verdadeira aventura esse processo de autocuidado.
Não estou dizendo que olhar para nossas necessidades apenas despertará tranquilidade/paz/felicidade, muitas vezes, esse foco lança luz sobre nossas fragilidades/vulnerabilidades e isso pode ser desafiador. E é entendendo como reagimos emocialmentemente e fisicamente que começamos a mapear quais são nossas necessidades.
Esse mapa nos promove um estado de presença e consciência capaz de promover a expansão em meio ao caos. É UM RENASCER. Permanecer proativo ajuda a alimentar a sanidade mental. Reconhecer que estamos em tempos de imprevisibilidade é um gesto de aceitação. E perceba, aceitar como as coisas são não significa concordar com elas, é enxergar que não pode ser mudado.
Encontrar uma atividade que lhe dê prazer e detenha sua atenção promove a redução da sensação de solidão e acrescenta pitadas de positividade. É um olhar para dentro que se transforma em produção externa.
É tempo de ser empático com seus sentimentos, sejam eles quais forem. Você não está sozinho, esse é um momento que venceremos juntos. Não hesite em buscar ajuda especializada se perceber que não está dando conta.


